A “imagem” dos Advogados na perspectiva dos Cidadãos

Vivenciamos uma fase de profundas crises, particularmente associadas a mudanças sociais, fenômenos em relação aos quais os profissionais de Direito não podem, em caso algum, ficar alheios. 

O presente estudo tem o intuito de aferir e conhecer a opinião do cidadão sobre o Advogado em geral, e sobre o seu próprio Advogado, em particular.

Está inerente a este estudo a definição e redefinição do papel do Advogado, nos limites do disposto no art. 133 da Constituição Federal:

“O advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício de sua profissão e nos limites da lei.”

A moderna advocacia vê ou deverá ver na prevenção, na interação e na comunicação, quer na perspectiva da informação jurídica, quer na perspectiva da consulta jurídica, as melhores fórmulas para evitar o colapso do atual sistema de Justiça.

Para passar da teoria a realidade revela-se indispensável conhecer os “sujeitos”, leia-se a população, quanto a sua forma de pensar, a influência dos conceitos estereotipados, as tipologias de relacionamento, as motivações da procura e os resultados da oferta.

Enfim, nos parece da maior utilidade saber tudo que nos permita extrair conclusões sobre o presente e sugestões para o futuro no que tange as novas formas do exercício da Advocacia e modernizados modelos de prática profissional. 

O estudo sobre as percepções e atribuições com que a população representa os Advogados, realizou-se na primeira quinzena de Outubro de 2005, tendo por instrumento de observação um conjunto de questões elaborado para este fim específico. 

O questionário foi aplicado a uma amostra de 1239 pessoas, a amostra é heterogenia sob ponto de vista das características educacionais, ao nível e situação profissional e à inserção na vida profissional. 

Quanto aos participantes 725 (58,5%) são mulheres e 513 (41,4%) são homens, com idades entre os 17 e os 86 anos (média 35,19 anos e o desvio padrão 14,09). 45,8% (n=567) dos pesquisados já haviam consultado Advogados, e 54% (n=670) e 70,8% (n=454) tiveram esta experiência através de familiares ou amigos próximos. 

Numa primeira abordagem, importa realçar os fatores determinantes da escolha de Advogados, que sendo aparentemente retóricos, mantém na atualidade, porque continuam a pautar-se pela preferência da competência, valorização e valor agregado da experiência. 

Por outro lado, e sem prejuízo da parte mais árdua do trabalho realizado, a análise dos números, o que se encontra em fase de desenvolvimento, pode-se concluir desde já que os elementos disponíveis nos mostram novos horizontes e definem campos de intervenção urgentes, que nos permitirão, e em especial aos Advogados, enquanto personagens ativos no exercício da cidadania, agir na promoção e dignificação da profissão.

É tempo de acreditar nas mudanças, inverter caminhos e adptar mentalidades e culturas.

Os dados agora publicados expressão a primeira abordagem do estudo em curso.


PRIMEIROS RESULTADOS E PRINCIPAIS CONCLUSÕES

Os dados incluídos nos gráficos correspondem às opiniões dos inquiridos sobre dimensões representativas das características profissionais e psico-sociais dos advogados, bem como a valorização conferida a alguns atributos específicos. 



Os dados no gráfico 1 sugerem que cerca de 75% dos inquiridos concordam (categorias concordo e concordo totalmente) que os advogados são pessoas de confiança, e no mesmo sentido, no gráfico 2 observa-se que cerca de 92% dos participantes concordam que os advogados dão conselhos úteis. Neste último gráfico, retirou-se a categoria “discordo totalmente” por representar apenas cerca de 1% das respostas. 



No gráfico 3 constata-se que cerca de 86% dos participantes avaliam como muito favorável (categorias concordo e discordo totalmente) o fato dos advogados protegerem segredos dos seus clientes, e os dados do gráfico 4 evidenciam que cerca de 60% dos participantes concordam que os advogados são a garantia de respeito pelos seus direitos como cidadão. 

Quanto à importância atribuída às características dos advogados, os dados incluídos nos gráficos revelam a tendência dos inquiridos em valorizarem a competência (97,6%), a clareza do discurso (96,2%), a seriedade (95,3%), a disponibilidade (95,3%), a experiência (93,5%), os custos (77,9%) e a simpatia (69,1%). Por último, para 91,7% dos pesquisados é indiferente se o profissional de advocacia é homem ou mulher. 



Considerando o sentido deste primeiro conjunto de dados, os indicadores sugerem uma atitude positiva da classe profissional dos(as) Advogados(as), e que esta tendência é, em grande parte, inscrita em dimensões de confiança, de competência, de seriedade e de responsabilidade social. 

Como conclusão geral, este estudo, uma vez mais, tende a confirmar que aos advogados é atribuída uma imagem que lhes confere pluralidade de papéis, com responsabilidade de natureza pessoal, profissional e social.

 

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