Por Fabiane Madeira
Depois de várias tentativas de obter politicamente a totalidade das
compensações da Lei Kandir, relativas às exportações, os
governadores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso
do Sul – estados que formam o Codesul – decidiram finalmente entrar
com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para rever a parte dos
valores não pagos pela União. Os governadores do Sul já assinaram a ação.
Até a noite de ontem faltava apenas o aval do governador do Mato Grosso
do Sul, Zeca do PT. Após a anuência do governador petista, a ação
será encaminhada ao STF – o que deve ocorrer ainda hoje ou no
decorrer da semana que vem. Segundo o procurador-geral adjunto do Estado
para assuntos institucionais, Euzébio Ruschel, os governos estaduais
resolveram não consignar os valores devidos na petição inicial,
sustentando apenas a tese jurídica de que há o direito ao
ressarcimento. Só o Rio Grande do Sul, o Estado que mais exporta entre
os quatro, deve perder mais de R$ 1 bilhão neste ano em compensações
não pagas.
Os quatro estados pedem também a alteração do atual indexador da dívida
dos estados com a União – que atualmente é o IGP-DI. De acordo com o
governador Germano Rigotto, o Rio Grande do Sul pagará R$ 1,6 bilhão
em dívidas, em 2005, ou seja, 18,7% da receita líquida a cada mês.
“É preciso redefinir o indexador já que, quanto mais se paga, mais
cresce o estoque da dívida”, reclama Rigotto.
Com relação ao fundo de compensações das exportações da Lei
Kandir, os governadores alegam que estão tendo suas administrações
prejudicadas pela falta de recursos financeiros. “É um absurdo os
estados estarem recebendo menos do que deveriam por parte da União”,
disse Rigotto. Os governadores reconhecem que podem até não obter
sucesso na tentativa de conseguir judicialmente o ressarcimento e a
mudança do indexador, mas entendem que é importante denunciar o prejuízo.
“O importante é que o STF reconheça que existem perdas”,
argumentou Rigotto.
Polêmica começou com a isenção da cobrança de ICMS em 1996
A Lei Kandir foi criada em 1996 e prevê a isenção de cobrança do
Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para
empresas exportadoras do setor primário e de semi-elaborados, além dos
bens do ativo permanente das empresas: máquinas e equipamentos. Para
compensar essa perda de arrecadação, a Lei estipula o ressarcimento de
metade do total exportado com recursos da União.
Além dos governadores, assinam a ação os procuradores-gerais dos
quatro estados que fizeram os estudos dos valores devidos à cada um dos
impetrantes. A decisão havia sido tomada em março em reunião do
Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul), atualmente
presidido pelo governador do Paraná, Roberto Requião. Nesse período,
foram feitas as análises dos valores a serem cobrados. Estes
levantamentos deverão ser apresentados ao STF posteriormente.
Em 2005, estavam previstos R$ 9 bilhões para o Fundo, porém, o governo
federal aportou R$ 5,2 bilhões no orçamento – somente após pressão
dos governadores. Inicialmente, estavam previstos apenas R$ 4,3 bilhões
aos estados. O Rio Grande do Sul tem direito a aproximadamente 10% do
valor total, ou seja, pouco mais de R$ 500 milhões. O governador gaúcho
vem ressaltando que, em 1997, quando as exportações estavam em R$ 25
bilhões, o fundo de compensações era de R$ 3,6 bilhões. Já em 2003,
o fundo previa R$ 3,9 bilhões e as exportações ficaram no patamar de
R$ 98 bilhões. Entre janeiro e julho deste ano, o Brasil já exportou
US$ 53.68 bilhões - o que pelo câmbio de ontem (R$ 2,337), daria mais
de R$ 125 bilhões). (FM)
Fonte: Jornal do Comércio