As vendas no varejo caíram 4,55% em
maio, no Rio Grande do Sul. O levantamento, do IBGE, aponta o fato como
conseqüência da seca que assolou o Estado em dois anos consecutivos,
sendo a de 2005 a pior dos últimos 60 anos, lamentou o governador
Rigotto. O comércio é importante desde a Antiguidade, com os fenícios.
A troca de bens, a busca pelas especiarias do Oriente e a natural
vontade de consumir das pessoas impulsionaram o comércio. Através
dele, cidades surgiram e sociedades progrediram. O comércio abriu novas
rotas terrestres e marítimas e tivemos os Descobrimentos. Pois o Jornal
do Comércio está circulando hoje com Caderno Especial sobre o Dia do
Comércio, que transcorre amanhã, 16 de julho. Nele, a presença das 11
entidades do setor existentes no Rio Grande do Sul. Paralelamente,
sabe-se que, além do comércio varejista, um dos setores da economia
que mais sofreu com a alta dos juros praticada de setembro de 2004,
Selic em 16%, a maio deste ano, quando bateu em 19,75%, foi o da construção
civil. Utilizando intensa mão-de-obra sem maior qualificação, a
construção civil tem tecnologia, materiais e planejadores nacionais. Não
depende de um prego do exterior para tocar uma obra, do início ao fim.
No entanto, desde que o altamente exitoso Banco Nacional da Habitação,
BNH, foi extinto, nos anos 80, o setor carece de medidas que cheguem,
efetivamente, àqueles que querem comprar a famosa casa própria.
Principalmente na faixa entre os R$ 2.500,00 e R$ 3.000,00, conforme
especialista escreveu neste jornal, há dias. Embora algumas linhas nos
bancos privados, em verdade, em verdade, o papel de financiador das
pessoas físicas é desempenhado, galhardamente, pela Caixa Econômica
Federal. Mas, o baixo poder aquisitivo, os juros altos e um foco
distorcido do perfil dos adquirentes, faz com que milhões ainda estejam
sem realizar este sonho. Não surpreende, então, que dos R$ 10 bilhões
que a CEF tem para aplicar em moradias em 2005, nem R$ 3 bilhões foram
contratados. E quanto mais passam os anos, o déficit aumenta. Hoje, é
calculado em 6,5 milhões de moradias, 25 milhões de pessoas. São
casais jovens que, embora empregados, não se enquadram no modelo de
mutuário exigido. Seja porque não têm renda, seja porque não têm
poupança. O empréstimo habitacional padrão cobre só até 80% do
valor do imóvel a ser adquirido.
Porém, os imóveis usados também são financiados, nas simulações da
CEF.
O problema é adequar o rendimento do casal ao sonho. Comprar o quê,
por exemplo, num bairro da Capital com R$ 40 mil? Mesmo usado, fica difícil.
Aí, vem a opção do afastamento do Centro, numa progressão quase geométrica
na relação valor/distância do serviço. Gerentes da Caixa dizem que
outra dificuldade é que tão-somente 30% dos rendimentos do adquirente
ou do casal podem ser comprometidos. Quanto aos apartamentos novos, seus
preços estão acima do poder aquisitivo da maioria. Tanto que os
chamados “turistas imobiliários” perambulam nos finais de semana,
de construção em construção. Além de caros, têm área diminuta.
Divulgam-se os acessórios tão lindos quanto encarecedores da taxa
condominial, que recairá sobre o futuro morador. Se a sala é grande,
os quartos são minúsculos. Então, quem pode, a classe média alta, não
aceita o que está à venda. Quem quer, precisa e é jovem, não pode
pagar. O acesso à moradia está facilitado para quem tem renda familiar
baixa, até os R$ 1 mil. Aí, existem os juros subsidiados. Neste
modelo, o Banco Mundial destinará mais US$ 502,5 milhões. O Bird julga
que casa própria é sinônimo de crescimento sustentável e eqüitativo.
Absolutamente correto.
Marina, insensível e autoritária
Francisco Simeão
Ao propor e aprovar na Camex a decisão de proibir a importação de
pneus usados (matéria-prima para a indústria de pneus remoldados),
através de Medida Provisória ou Projeto de Lei de iniciativa do
Executivo, a ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, revela, no mínimo,
insensibilidade política e postura autoritária, em mais um esforço inócuo
para atender os reclamos das multinacionais. A mais recente atitude da
senhora ministra, nessa crescente ação fundamentalista, revela a sua
insegurança ao constatar as possibilidades de sucesso na votação do
PLS (Projeto de Lei do Senado) 216/03, de autoria de seu colega de
partido, o senador Flávio Arns.
O PLS 216/03 foi apresentado em 2003, para atualizar e confirmar, por
lei, os termos da Resolução Conama 258/99, que trata da obrigação de
coletar e destruir pneus inservíveis, na proporção da quantidade
vendida pelas empresas fabricantes e importadoras no mercado interno.
Também objetiva regulamentar a atividade do segmento industrial
fabricante de pneus remoldados, que tem necessidade de importar carcaças
de pneus usados, de ótima qualidade, para continuar fabricando pneus
remoldados no Brasil, bem como abastecer de carcaças de pneus usados a
importante indústria de pneus recapados e recauchutados, principalmente
no que se refere aos pneus de carga, matéria-prima hoje em falta no
mercado. A indústria de reforma de pneus no Brasil, junto com a indústria
de borracha, que abastecem este mercado, abriga cerca de 30 mil postos
de trabalho diretos, nas 1.100 pequenas e médias empresas do setor,
abrigadas na ABR - Associação Brasileira da Indústria de Reforma de
Pneus. Desde seu protocolo na Mesa do Senado, o PLS 216/03 já foi
debatido à exaustão, inclusive em quatro audiências públicas. Porém,
os ilustres senadores, de forma cautelosa e demonstrando sensibilidade
diante da complexidade do tema, preferiram criar um Grupo de Trabalho
com a participação das partes que divergem sobre a matéria, para
aprofundar mais o debate e promover um esforço para encontrar texto de
consenso, que atenda aos interesses maiores da Nação e, ao mesmo
tempo, possa servir às partes que litigam contra e a favor de sua
aprovação.
Presidente da Associação Brasileira
da Indústria de Pneus Remoldados
abip@enfoque.com e www.enfoque.com
PCHs movimentam economia gaúcha
Valdir Andres
Um dos principais objetivos traçados pelo governo Rigotto é a
diversificação da matriz energética gaúcha. Com este fim, começaram
neste mês as obras do maior parque eólico da América Latina, em Osório,
e está em pleno andamento a construção de oito Pequenas Centrais
Hidrelétricas (PCHs), selecionadas na primeira fase do Programa de
Incentivo às Fontes Alternativas de Energia (Proinfa). Duas PCHs,
inclusive, começarão a operar em janeiro próximo, um ano antes do
prazo final definido pela Eletrobrás, que garante a compra da energia
produzida por 20 anos. Ao todo, as oito PCHs do Proinfa, com 161,7 MW de
potência instalada, aumentarão em 120% a produção de energia através
de pequenas centrais hidrelétricas no RS, que hoje está em 135 MW, com
47 usinas operando. Elas receberão um investimento de R$ 500 milhões,
com a geração de 1,5 mil empregos diretos e seis mil vagas indiretas.
Os municípios beneficiados diretamente com a instalação destas PCHs
serão Barracão, Esmeralda, Campo Novo, Nova Bassano, Serafina Correa,
Cotiporã, Dois Lajeados e Antônio Prado.
As PCHs são importantes por disseminarem pelo Rio Grande do Sul uma
fonte de energia renovável de baixo impacto socioambiental e de custo
de implementação relativamente baixo. Também são importantes para a
melhoria da qualidade das redes de transmissão, evitando quedas de tensão
e perdas no sistema.
Em relação ao meio ambiente, as PCHs possuem reservatórios para a
acumulação de água com áreas reduzidas de alagamento. Quanto ao
custo, possibilitam que investidores de pequeno porte possam construí-las,
gerando emprego e renda de modo descentralizado. Os principais
investidores, aliás, estão entre as Cooperativas de Eletrificação e
Produtores Independentes de Energia (PIE), motores do desenvolvimento
socioeconômico de várias regiões do interior do Estado. Em razão das
suas inúmeras vantagens, ainda existe, em processo de licenciamento,
outros 46 projetos de PCHs para o Rio Grande do Sul, com 370 MW de potência,
investimento de R$ 920 milhões e criação de 1850 empregos diretos.
Secretário de Energia, Minas e Comunicações
www.semc.rs.gov.br
Imprensa livre e corrupção
Vilson Antonio Romero
Na faxina da casa, o pó levanta, mas somente varrendo descobrimos e
desentulhamos o lixo acumulado e escondido. Neste momento malcheiroso da
política brasileira, com acusações, “mensalões” e propinas
empestando os corredores acarpetados de Brasília, devemos realçar a
importância de termos uma imprensa livre. Que, juntamente com outras
instituições, como a Polícia Federal e o Ministério Público, tem
trabalhado incessantemente na busca da visibilidade do podre “modus
operandi” de uma parcela expressiva dos agentes da coisa pública.
Quando o faro investigativo, a checagem e rechecagem das fontes, a análise
dos fatos, a busca incessante da apuração e divulgação dos mesmos de
forma imparcial e esclarecedora permitem retratar um instantâneo da
história do Brasil e do mundo, trilhamos na direção do preceito
constitucional de que “a manifestação do pensamento, a criação, a
expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não
sofrerão qualquer restrição”.
Nestes recentes episódios, foram reveladas pela imprensa as identidades
de sorveteiros, secretárias, publicitários, ex-esposas e outras
personagens que, juntamente com Waldomiros, Jeffersons, Dirceus e
Marinhos, são decisivas na retirada do grosso cobertor que esconde a fétida
relação envolvendo, graças a Deus, uma minoria de integrantes da
sociedade, Congresso e Executivo. Estes acontecimentos, na certa, servirão
para a depuração das instituições, o aprimoramento da cidadania e o
aperfeiçoamento das relações na sociedade, ressaltando e levando em
conta o papel fundamental da imprensa, dentro do que prega a Declaração
de Chapultepec, de agosto de 1996: “Uma imprensa livre é condição
fundamental para que as sociedades resolvam seus conflitos, promovam o
bem-estar e protejam sua liberdade.” A imprensa livre é e será,
sempre, um dos instrumentos a serviço do cidadão no combate à corrupção
e na busca da consolidação da cidadania.
Coordenador do Departamento de
Direitos Sociais e Imprensa Livre da ARI
vilson.romero@terra.com.br
Fonte: Jornal do Comércio