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27/05/2009
Dia do Contribuinte 2009

 

Até quando esperar pela reforma tributária, até quando esperar pelo respeito aos direitos do contribuinte?

Arlindo Chinaglia (presidente da  Câmara dos Deputados), Édison Freitas de Siqueira (presidente do IEDC), Sandro Mabel (coordenador da Frente Parlamentar dos Contribuintes) na Sessão Solene da Câmara dos Deputados que instituía o "Dia do Contribuinte" no 25 de Maio de 2007, na época ministros e parlamentares prometiam a reforma tributária para no máximo o fim de 2008.

 

Em 2007, em Sessão Solene da Câmara dos Deputados, o IEDC chamava a atenção para o fato de que, pelos cálculos mais ortodoxos e oficiais o possível, o cidadão brasileiro na média havia trabalhado até o 25 de Maio de 2007 para pagar seus impostos naquele ano. Passamos a chamar esta data de Dia do Contribuinte, encaminhando inclusive projeto de lei para que o dia fosse incluído no calendário oficial.


Depois de dois anos o cálculo do IBPT aponta para o dia 27 de Maio. Aparte as discussões sobre a metodologia do cálculo,  o fato consensual é que através de impostos, e de modo crescente, se subtrai a verdadeira riqueza gerada pela economia real. Os valores retirados da sociedade não são percentuais econômicos sem significado prático, eles representam o quanto do tempo, do empenho, do suor, do talento, dos investimentos e da vida de muitos cidadãos é canalizada para os cofres públicos.


Muitos movimentos a favor dos direitos dos contribuintes, como a National Taxpayers Association dos Estados Unidos, adotaram a prática de celebrar o Dia do Contribuinte (Tax Freedom Day) a fim de lembrar a sociedade sobre qual o tamanho do seu esforço econômico para sustentar o Estado, seus funcionários, seus quadros, seus investimentos e ações dentro da sociedade. Para os suecos além do Tax Freedom Day é importante o movimento pelo “Half Left”, ou seja pelo menos a metade tem que ficar com quem produziu a riqueza, no Brasil não existe sequer a discussão legislativa sobre a metodologia de cálculo de quantos impostos um cidadão comum paga e de qual o valor pago, cada um calcula conforme sua conveniência política.


No dia Dia do Contribuinte a comemoração tem um sentido duplo, causa um misto de alívio e de dor. Alívio por saber que teoricamente, estatisticamente, deste dia em diante o fruto do trabalho das pessoas lhes pertencerá, e não ao Estado. E dor, por saber que tudo que produzimos até este dia foi para as gordas burras do governo instituído, que no caso Brasileiro não dá o devido retorno a sociedade por aquilo que dela retira.


Se vivêssemos em um perfeito “welfare state” onde todos tivessem acesso à saúde, a educação de qualidade, a boa infra-estrutura de comunicações, de estradas, portos e aeroportos; este valor subtraído do sangue econômico de nossas vidas e de toda a sociedade seria reconhecido como uma obrigação de caráter cívico, e sonegar seria encarado seriamente como um crime tão grave quanto roubar dinheiro do governo por meio de corrupção política; como desviar remédios de postos de saúde, como usar o dinheiro da merenda escolar em compras superfaturadas, como desviar valores de dentro de instituições públicas para custear campanhas políticas e investimentos pessoais, como manipular fundos de pensão (dinheiro de pensionistas que contribuíram a vida toda) para jogar em apostas do mercado de ações, entre outros exemplos de fraude ao bem estar de toda a sociedade. Isto seria muito grave e repreensível com prisão, por certo.


A dissolução ética de nossas instituições democráticas reside no fato, quase natural em nossa sociedade, de que aqueles que saqueiam a céu aberto o erário público, e aqueles que se beneficiam de seus cargos públicos para auferir ganhos pessoais sobre os caminhos da administração pública não são punidos. Réus confessos de crimes que abalam o bem estar social, exemplificado acima, aparecem na TV e pousam para a sociedade como se fossem heróis, mártires de nossa política. Pessoas que praticaram desvio claro do dinheiro que os contribuintes concederam ao governo estão à solta, gozam de foros privilegiados e são investigados e julgados por seus pares de profissão, seus correligionários e amigos.


A sangria vampiresca da vitalidade econômica de uma sociedade associada à corrupção pública endêmica esgota totalmente as possibilidades de esperança de que neste Estado se gerem as soluções impactantes o suficiente para impulsionar a ordem e o progresso exarado em nossa bandeira. 


A tirania fiscal, e o Estado de abuso tributário-econômico contra os cidadãos instaura um clima de desconfiança generalizada, de estado policialesco, de controle informacional sobre os números e fatos econômicos sem precedentes em nossa história como civilização, com um único fim, cobrar impostos e retirar a força da sociedade sua riqueza produtiva. Se organizam complexos e preparados corpos burocráticos instalados nos mais luxuosos prédios da administração pública com um único fim, cobrar impostos.


Os melhores propagandistas, escritores, artistas e intelectuais e os mais carismáticos políticos que criam os mais lindos discursos sobre igualdade social, distribuição de renda e qualidade de vida se organizam e chegam ao poder onde não mudam em nada a profunda diferença entre os salários de seus assessores e o dos cidadãos comuns que os elegeram, e, em última instância, perpetuam a dominação tecnocrática-economico-contábil de massas populacionais que não encontram meios para participar ou reagir a este saque silencioso, pois na maioria das vezes sequer são informados que estão pagando impostos.


Esta dissolução ética de nossa sociedade é a causa do mal estar que está em cada casa do país que sintoniza em uma televisão a imagem de um administrador público, juiz ou parlamentar que não presta a população as devidas contas do que se faz do dinheiro público posto em suas mãos.

A solução para este quadro tributário distorcido e abusivo vem por meio da força que a globalização do mercados exerce sobre a economia Brasileira, nas palavras do presidente do IEDC e Consultor Jurídico do Congresso Nacional, Dr. Édison Freitas de Siqueira: “o Brasil irá aprender por força ou por amadurecimento de suas instituições e terá que modificar. Prova disto é a crise financeira internacional que obrigou ao Brasil, por pressão internacional e externa, a reavaliar e baixar a carga tributária sobre veículos e produtos eletrodomésticos e ainda a criar parcelamento de dívidas fiscais com elevados descontos, no propósito de assegurar o crescimento econômico e para garantir a geração de empregos. Não foi por vontade própria, mas por ação externa.”

Fonte: IEDC | Autor: Luciano Medina Martins (Vice-Presidente de Marketing do IEDC)

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