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Esta
semana os contribuintes que tiveram restituições retidas na
chamada “malha-fina” começam a receber suas restituições.
São 12.388 contribuintes só para o imposto de Renda Pessoa Física
(IRPF) de 2007, também foram liberadas semana passada restituições
de 2004 e 2006.
Esta notícia é recebida sem nenhum espanto pelos brasileiros
muito acostumados com todo tipo de abuso aos direitos do
contribuinte. Não causa nenhum espanto que o órgão
arrecadador de um país presuma, termo técnico para o bom e
velho “achismo”, que um contribuinte que já pagou o imposto
estaria sendo desonesto no pedido de restituição, e, sem que
isto seja decisão de um juiz ou resultado de um processo, retêm-se
o dinheiro que não pertence ao governo, por anos, enquanto este
“investiga” para saber se houve erro do contribuinte. Ou
seja, muito mais importante do que o respeito ao patrimônio das
pessoas é a prioridade dos tecnocratas de saber se estão sendo
cumpridas suas normas de arrecadação. O direito humano básico
de dispor de seu patrimônio nem entra em questão, é
atropelado sumariamente.
Fico pensando no que estes 12.388 contribuintes que deixaram de
receber suas restituições teriam feito com o dinheiro se o
tivessem recebido na época certa? Este dinheiro lhes pertencia,
eles trabalharam ou investiram para gerar estes valores que são
parte de seu patrimônio pessoal, de seus rendimentos. O que
teriam feito com este dinheiro se estivessem em suas mãos na época?
Pago aquele tratamento para a filha? Matriculado seu filho no
curso de inglês que iria fazer toda a diferença na formação
do menino? Trocado de carro por um mais novo e seguro? Poderia
enumerar pelo menos 12.388 situações diferentes.
Sem
julgamento
Este tipo de agressão ao patrimônio das pessoas não causa
mais espanto. É normal! É normal simplesmente “acharem”
que você é desonesto e ficaram anos com seu dinheiro. Quando
era estudante me ensinaram que “ninguém é culpado até
que se prove o contrário”, e que “ninguém pode ser
punido sem julgamento”, mas neste caso se presume a culpa
e se pune sem julgamento. E isto é anunciado como algo normal.
Como um fato do cotidiano dos brasileiros que é parte
absolutamente corriqueira de suas vidas. Não causa espanto
algum.
No país onde mais se desrespeita os direitos do contribuinte no
mundo isto pode parecer normal, mas, posso lhes garantir, não
é! É mais um dos episódios de tirania fiscal que se repetem
todos os anos como se fosse algo normal. Querem nos convencer de
que se trata de algo perfeitamente em sintonia com o estado de
direito, mas não é. Assim como não é normal que crianças não
tenham escola, que pessoas morram no fila do hospital, que as
estradas não ofereçam segurança, sendo que o país é dotado
de todos os recursos econômicos para que isto não aconteça.
Imprensa
Oficial
Mais
uma vez não vi olhar crítico algum da imprensa
“especializada” sobre o assunto. Os grandes jornais
anunciaram o fato no maior “cópia e cola” de release da
Receita Federal. Como se estivessem prestando serviço de
utilidade pública. Sem perguntas, sem questionamentos. Isto é
o que chamo de "imprensa oficialista", é justamente
nestes imensos detalhes da vida quotidiana que passam sem uma
perguntinha mais crítica que se revela a nulidade de nossa
imprensa. Não vou copiar e colar aqui os textos dos veículos
que li, mas sugiro que procurem por algum sinal de crítica a
este fato básico. Eu não encontrei, até por que só
procurei nos jornais de maior circulação. Se encontrarem me
mandem que vou replicar e mandar para todos os meus amigos como
sinal de esperança na existência de vida inteligente em nosso
sistema solar.
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