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Para ministro do Planejamento,
País tem tudo para tornar-se a 5ª potência mundial, mas falta fazer
a lição de casa.
Muitas vezes tentada, mas sempre
atravancada no Congresso em razão de interesses regionais e
corporativos, a reforma tributária foi defendida de forma unânime
pelos participantes do Fórum Estadão Regiões / Sudeste, para debater
alternativas de desenvolvimento da região.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou que a
reorganização do sistema fiscal brasileiro é uma das condições
essenciais para o País cumprir a previsão de se tornar a quinta
maior economia do mundo na próxima década.
"Entre as tarefas incompletas que teremos de finalizar brevemente
está, sem dúvida, a realização de uma reforma tributária que torne o
sistema de arrecadação mais simples e, ao mesmo tempo, mais fácil de
ser entendido por todos", afirmou. "A nosso favor está o fato de que
o Brasil está mais maduro para aceitar um bom projeto nessa
direção."
O ministro traçou as linhas gerais da mudança no sistema de tributos
defendidas pelo governo. "Alguns interesses serão desatendidos e
outros incorporados. A reforma nunca irá agradar a todos, mas o
fundamental é que haja menos alíquotas de impostos e maior
unificação nas regras federais e estaduais", adiantou. O aumento da
fiscalização também faz parte dos planos. "A sonegação é uma forma
de concorrência predatória", definiu.
Paulo Bernardo estimou em até 2% do PIB os gastos das empresas com
departamentos e consultores especializados em deslindar a complexa
legislação tributária do País. "É um cipoal que gera custos
altíssimos para a sociedade", criticou o ministro.
Guerra fiscal. O governador do Espírito Santo, Paulo Hartung,
acredita que o momento de reorganização do sistema tributário está
se aproximando. "A guerra fiscal vem sendo praticada há muito tempo
entre os Estados, e essa situação não é boa para ninguém", avaliou.
Ele adiantou que uma reforma bem planejada poderá proporcionar ao
Estado os recursos que ainda não estão disponíveis para a realização
de grandes obras de infraestrutura e logística, como a ampliação do
Aeroporto de Vitória e a finalização de rodovias interestaduais.
Ao mesmo tempo, defendeu a execução de planos regionais de
desenvolvimento articulado entre o Estado e a iniciativa privada,
como o que já existe no Espírito Santo. "Temos cidades inteiras que
precisam ser replanejadas em razão do crescimento nos setores de
petróleo e gás no nosso estado", lembrou Hartung. O governador
posicionou-se a favor de um amplo movimento de desburocratização.
"Os portos têm até 112 formulários, referentes a 16 órgãos
administrativos, com quase mil questões a serem respondidas pelo
exportador", comentou. "Esse é um País que valoriza a formalidade em
detrimento do resultado, uma prática que está na hora de acabar."
A reforma tributária também foi um dos temas abordados pelos
presidentes da Usiminas, Wilson Brumer, e da Coteminas, Josué Gomes
da Silva. "A carga tributária excessiva pode levar o Brasil a criar
empregos lá fora", disse Brumer. "Para evitar essa situação, a
iniciativa privada e o governo têm de trabalhar em harmonia para a
conciliação de seus interesses." Ele frisou que um novo projeto
fiscal deve contemplar um setor forte em fiscalização. "A sonegação
torna a concorrência desleal", classificou.
Para o presidente da Coteminas, a reforma tributária ideal será
aquela que vai resultar no aumento da taxa de poupança privada. "A
reorganização do nosso sistema fiscal pode criar fontes para um novo
modelo de financiamento de longo prazo", afirmou. "Isso irá
colaborar para a sustentação do crescimento na próxima década." |