Entidades pedem na CCJ
rejeição do projeto que institui a penhora administrativa
Representantes da Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB), da Confederação Nacional da Indústria (CNI),
e da Confederação Nacional do Comércio (CNC) defenderam, em
audiência pública realizada nesta terça-feira (29), na Comissão de
Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), a rejeição do projeto de
lei do Senado (PLS 10/05) que institui a penhora administrativa.
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O projeto, em
tramitação na CCJ, autoriza a administração pública, por meio das
procuradorias fazendárias, a notificar diretamente o devedor e, se a
dívida permanecer sem pagamento, a realizar a penhora de bens. Pelo
texto, de autoria do senador Pedro Simon (PMDB-RS) os atos de
notificação inicial e penhora, passam a ser medidas administrativas
e não mais judiciais.
Na avaliação do conselheiro federal da OAB, Luiz Cláudio Silva
Allemand, o projeto retira a garantia fundamental dos contribuintes
de recorrerem ao Judiciário para buscar resolver seus litígios com o
poder público. Para ele, a justificativa principal do projeto, de
que a mudança na legislação atual é necessária devido à ineficiência
do Judiciário, não pode ser aceita, uma vez que os cidadãos também
são prejudicados pelo mesmo defeito daquele poder.
- Há um buraco neste projeto porque o contribuinte não pode estar à
mercê do aparelho estatal. Ou nós teremos que revisar então os
conceitos de Estado - disse Luiz Allemand.
Gustavo Amaral, advogado da CNI, considerou a proposição inoportuna,
por pretender discutir a questão da penhora administrativa de forma
separada do problema maior da execução fiscal. Em sua opinião, o
projeto, ao permitir o bloqueio de recursos financeiros, poderá
levar ao aumento de gastos públicos, devido ao fato de os valores
bloqueados serem contabilizados como receita pelos governos em todas
as esferas.
Já na visão do consultor da União, Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy,
o projeto deverá permitir uma administração pública mais eficaz e
eficiente, com custos muito menores. Para ele, a proposta também
poderá "aliviar o Poder Judiciário de uma sobrecarga de trabalho
para a qual não tem vocação".
Presidindo a audiência pública, o senador Antonio Carlos Júnior (DEM-BA),
criticou a ineficiência do sistema tributário brasileiro, que onera
mais as classes mais pobres em razão da existência de inúmeros
impostos indiretos. Segundo o parlamentar, o governo deveria dar
prioridade a esse problema, em vez de procurar implementar um
sistema de penhora administrativa. |